UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

21 de setembro de 2016

TRINDADE VIOLENTA (THREE VIOLENT PEOPLE) – CHARLTON HESTON EM BOM WESTERN


Rudolph Maté
Nem bem encostou o cajado e o manto usados por Moisés em “Os Dez Mandamentos” Charlton Heston rumou para Tucson, Arizona para interpretar um cowboy no western “Trindade Violenta” (Three Violent People). Anne Baxter, a Nefretiri do filme de Cecil B. DeMille se reuniu com Heston pois a Paramount entendeu que isso seria ótimo para atrair o público. Para dirigir esse faroeste melodramático passado no Texas foi escalado o austro-húngaro Rudolph Maté que dois anos antes havia realizado o vigoroso western “Um Pecado em Cada Alma” (The Violent Men). Maté começou no cinema como cinegrafista, na Áustria, ainda no cinema mudo, tendo sido o responsável pelas imagens de “O Martírio de Joana D’Arc”, o célebre filme de Carl Theodor Dreyer de 1928. Em Hollywood Rudolph Maté foi diretor de fotografia de dezenas de filmes, alguns deles clássicos como “Gilda” e “A Dama de Shanghai”, passando para a direção em 1947 sendo um de seus primeiros trabalhos como diretor o western “A Marca Rubra” (Branded). “Trindade Violenta” foi roteirizado por James Edward Grant, roteirista preferido de John Wayne e a bela cinematografia ficou a cargo de Loyal Griggs que três anos antes recebera um Oscar pela fotografia de “Os Brutos Também Amam” (Shane). Charlton Heston gostou do roteiro deste filme que encerraria seu contrato com a Paramount, especialmente porque seu personagem se distanciava em muito da bondade e dignidade de Moisés.


Charlton Heston e Tom Tryon;
Heston e Anne Baxter
Irmão contra irmão - Finda a Guerra Civil o Capitão Confederado Colt Saunders (Charlton Heston) retorna para o Texas para reassumir o comando do ‘Bar S’, sua fazenda. Chega também ao Texas, vinda de New Orleans a ex-prostituta Lorna Hunters (Anne Baxter), por quem Saunders se encanta e pede em casamento desconhecendo o passado da mulher. O Texas está sob as ordens de um governo provisório e o comissário Harrison (Bruce Bennet) é um dos muitos oportunistas que se aproveitam da devastação em que se encontra o Sul para se apropriar ilegalmente de terras dos sulistas. Antes do retorno de Saunders, havia se instalado na fazenda seu irmão Beauregard Saunders, apelidado de ‘Cinch’ (Tom Tryon), desafeto do irmão e a quem nunca perdoara pela perda acidental do braço direito. Cinch reivindica seus direitos no ‘Bar S’ e entra em conflito com Colt. Um dos homens de Harrison reconhece Lorna Hunters que tem seu passado revelado, ao mesmo tempo em que Cinch se alia ao comissário. Lorna dá à luz um filho e Colt lhe oferece 30 mil dólares para que ela desapareça de sua vida deixando-lhe a criança. Em conluio com Harrison Cinch trama matar Colt desafiando-o para um duelo, porém muda de ideia e permite que Colt ajudado pelo capataz Innocencio Ortega (Gilbert Roland) derrote o grupo armado de Harrison. Cinch é baleado mortalmente por Cable (Forrest Tucker), capanga do comissário e Colt descobre que ama Lorna, que havia recusado sua proposta, que merece ser perdoada por seu passado e continuar sendo sua esposa.

Charlton Heston e Tom Tryon
Onde as pessoas violentas? - Originalmente este western deveria se chamar “Maverick”, isto porque o personagem principal (Colt Saunders) é aquele tipo de homem que obedece seus próprios princípios e se comporta de modo diferente do costumeiro. No entanto a Paramount decidiu alterar o título para o inadequado “Three Violent People”, mesmo com a história girando em torno do antagonismo entre dois irmãos. Os cartazes de publicidade criam a falsa impressão que Lorna Hunters seria a terceira personagem brutal formando a trindade do título em Português. Certo que Lorna é uma impostora que se agarra à chance de ser uma ex-prostituta, mas a esperta moça revela possuir princípios morais que o soberbo Colt desconhece. “Trindade Violenta” é mais um western contrapondo irmãos inimigos sem que sejam eles o Caim e Abel de tantas outras histórias. O próprio Cinch que se diz a ovelha negra da família nada mais é que um homem revoltado e amargurado com seu único braço, não escondendo o ódio que nutre pelo irmão, aquele que se entende dono absoluto da propriedade familiar. Humilhado pelo aleijão e mais ainda pela altivez de Colt, Cinch redime-se de seus erros antes de morrer defendendo o ‘Bar S’ que havia traído. Quanto a Colt, ter passado “quatro anos perdendo uma guerra”, ainda que dela saindo como herói, não fez dele um homem exatamente nobre. Arrogante e brigão, mesmo Colt não pode também ser chamado de violento.

Charlton Heston e Anne Baxter
Roteiro falho - A discórdia familiar é a trama principal e mais interessante do filme de Rudolph Maté, embora possua alguns buracos no roteiro. Um deles é o mal explicado acidente de Cinch que teve o braço preso numa engrenagem e amputado por Colt, como se algum cowboy fosse capaz disso. E um homem com a personalidade de Colt Saunders se apaixonar perdidamente por uma astuta prostituta e pedi-la em casamento sem nada saber da vivaz mulher é também difícil de se aceitar. E a história se transforma num autêntico dramalhão com o nascimento do filho de Colt e Lorna, parto que ocorre abruptamente, rápido demais, imprevisto demais, forçado demais. Porém essas incoerências apenas demonstram que o roteirista James Edward Grant não estava em momento muito inspirado e Rudolph Maté não desenvolveu melhor a história. Consegue, no entanto o diretor delinear a contento os três personagens pseudoviolentos e um dos melhores momentos do filme é quando Lorna faz ver ao altivo Colt a pequenez de seu caráter, o que afinal permite que o casal se abrace e se beije ternamente antes do ‘The End’.

Charlton Heston e Anne Baxter; Anne Baxter

Gilbert Roland
Duelo psicológico - A trama secundária que é a sanha dos ‘carpetbaggers’ nortistas aproveitando-se da fragilidade dos sulistas nada mais é que uma variante dos métodos dos poderosos afligindo os mais fracos. Os vilões ao encontrar resistência sempre usam a força e neste filme a conjuntura política do pós-Guerra Civil coloca até mesmo o Exército a serviço dos ardilosos carpetbaggers, numa denúncia de autêntica pilhagem revestida de legalidade. Esse confronto resulta em alguns momentos movimentados em meio ao drama familiar de “Trindade Violenta”. Aí o western de Rudolph Maté melhora com Charlton Heston imponente como nenhum outro ator consegue ser e Tom Tryon cínico, provocante e misterioso. Há ainda a presença forte de Gilbert Roland não perdendo oportunidade para filosofar poeticamente em meio a seu quinteto de filhos. Forrest Tucker infelizmente aparece minimamente no filme, ele que personifica como poucos um homem mau. Maté criou um inusitado duelo com uma garrafa escoando o licor, sinal para o sacar dos revólveres para os dois irmãos, o que não acontece, ficando-se com um duelo apenas psicológico que  precede o autêntico showdown final.

O duelo entre Charlton Heston e Tom Tryon

Charlton Heston e Anne Baxter
Anne Baxter de cabeça para baixo - Reunir Charlton Heston e Anne Baxter deu certo pois ambos estão bem nos momentos dramáticos e nos românticos e melhor ainda nas altercações. Se “Trindade Violenta” fosse lembrado por uma única sequência seria quando Heston vira Anne de cabeça para baixo mostrando suas anáguas sob o elegante vestido. Consta que Heston não se entendeu muito bem com Tom Tryon durante as filmagens e talvez por essa e por outras razões Tryon abandonou cedo a carreira de ator tornando-se bem sucedido escritor. Além dos ótimos Gilbert Roland e Forrest Tucker, o elenco tem ainda a presença de Bruce Bennett, ator que como Herman Brix (seu nome verdadeiro), fez seriado como Tarzan e foi um dos cinco Lone Rangers do seriado “O Guarda Vingador” (The Lone Ranger), de 1938. Outro nome que posteriormente se tornou bastante conhecido do público é Robert Blake que interpreta um dos filhos de Gilbert Roland.

Forrest Tucker; Robert Blake e Anne Baxter; Tom Tryon


Charlton Heston
Trilogia melodramática - Rudolph Maté, como lembrado no primeiro parágrafo, foi um cinegrafista requintado e por isso mesmo muito requisitado. Tendo Loyal Griggs com as câmeras e mais o processo Vistavision da Paramount, Maté fez deste western um filme muito bonito capturando as belas paisagens do Arizona. O mesmo não pode ser dito da música bombástica e impessoal de Walter Scharf. Com “Trindade Violenta” Maté fez uma trilogia de westerns melodramáticos (“Um Pecado em Cada Alma”/1955 e “A Marca Rubra”/1950 são os outros dois). Pouco citado de modo geral este faroeste com Charlton Heston é daqueles que não deixarão de agradar aos fãs do gênero e deste grande ator em especial.

Charlton Heston e Anne Baxter; o pôster do filme; Tom Tryon

11 de setembro de 2016

OS CRUÉIS (I CRUDELI) / THE HELLBENDERS) – NORMA BENGELL BRILHA EM WESTERN DE CORBUCCI


O produtor-diretor Albert Band, francês de nascimento, fez carreira nos Estados Unidos, onde chegou a ser ator (fez pequeno papel em “A Glória de um Covarde”/The Red Badge of Courage). Mudando-se para a Itália, Band escreveu, dirigiu e produziu em 1965 o western “5 Pistolas com Sede de Sangue” (Gli Uomini dal Passo Pesante), lançado nos Estados Unidos como “The Tamplers”. Nesse filme Joseph Cotten é um sulista que não aceita a derrota e faz desse fato uma bandeira motivada por seu fanatismo. Gordon Scott é um dos quatro filhos de Cotten e que contraria o pai. Parece que Band gostou do tema pois no ano seguinte, em 1966, o utilizou em “I Crudeli”, “Os Cruéis” no Brasil, faroeste que produziu. Para dirigir o novo western Band chamou Sergio Corbucci que estourara com “Django”, sucesso que fez dele um diretor apenas mesmo famoso que Sergio Leone no subgênero que arrastava multidões aos cinemas do mundo inteiro. O mesmo norte-americano Joseph Cotten repetiu o tirânico sulista e para interpretar seus três filhos foram contratados os espanhóis Julián Mateos e Ángel Aranda e o italiano Gino Pernice. O principal papel feminino coube à brasileira Norma Bengell que fora levada para a Europa após o grande êxito obtido com suas participações em “Os Cafajestes” e “O Pagador de Promessas”, filmes nacionais que ultrapassaram fronteiras. Só a presença de Norma bastaria para tornar este filme de Corbucci obrigatório, além, é claro da assinatura do consagrado diretor.
Acima Sergio Corbucci e Albert Band;
Joseph Cotten e Gordon Scott em
*5 pistolas com Sede de Sangue".


Acima María Martín e o caixão;
abaixo Norma Bengell e Julián Mateos
Um caixão cheio de dólares - O Coronel Jonas (Joseph Cotten), ex-oficial do Exército Confederado, é um dos muitos sulistas que não aceitaram a derrota que lhes foi imposta. Para prosseguir na inglória luta o Coronel Jonas com seus três filhos ataca um comboio militar que transporta mais de um milhão de dólares que o Governo substituiu por notas novas. Dizimado o pelotão que escoltava o comboio, os sulistas se apossam do dinheiro e o escondem em um caixão de defunto que supostamente transportava o corpo de um Tenente sulista chamado Ambrose Allen. Kitty (María Martín) é uma prostituta que o Coronel Jonas contratou para se fazer passar por sua filha, viúva do Tenente morto e cujo destino seria um cemitério no Texas, sua terra natal. Ben (Julián Mateos), Nat (Ángel Aranda) e Jeff (Gino Pernice) são os três filhos do Coronel Jonas, sendo que Jeff mata Kitty quando esta tenta fugir com a pequena diligência com o caixão dentro. Ben vai à cidade mais próxima e contrata Claire (Norma Bengell) outra saloon girl para substituir Kitty como a viúva Allen. O grupo é procurado pela justiça e no trajeto se defronta sucessivamente com uma patrulha que os procura, com bandidos mexicanos, com uma tropa da União, com índios e com um mendigo traiçoeiro. Jeff e Nat se desentendem e matam-se um ao outro, ferindo no tiroteio o próprio pai que, ao chegar às margens do Rio Hondo descobre que o caixão fora trocado e que o dinheiro se perdera. O Coronel Jonas morre ao chegar ao Rio Hondo, restando vivos do grupo somente seu filho Ben e Claire

Acima Joseph Cotten, Gino
Pernice e  María Martín; abaixo
Gino Pernice e Julián Mateos.
Drama e violência na medida certa - Mesmo repisando um tema já abordado recentemente, “Os Cruéis” é um dos roteiros mais ricos dentre aqueles considerados importantes entre os westerns spaghetti. Patriarcas em desavença com seus filhos resultaram em inúmeros faroestes famosos, entre outros “Almas em Fúria” (The Furies), “Duelo ao Sol” (Duel in the Sun), “A Lança Partida” (Broken Lance), “Um Certo Capitão Lockhart” (The Man from Laramie) e “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country), porém o roteiro de Albert Band e Louis Garfinkle não se limita aos conflitos entre pai e filhos, narrando uma aventura envolvente com suas reviravoltas imprevisíveis. Louis Garfinkle era um roteirista norte-americano cujo trabalho mais célebre foi o script de “O Franco Atirador”, pelo qual concorreu ao Oscar. Possivelmente deve-se a Garfinkel, creditado como autor de diálogos adicionais, algumas das excelentes frases deste western de Sergio Corbucci. Uma delas quando Claire exclama: “Basta de matar, basta de fugir, chega de medo”, contrariando a tônica principal dos westerns spaghetti que sempre foi a exacerbada violência. A narrativa mescla admiravelmente momentos mais dramáticos que exploram psicologicamente os personagens com aqueles em que Corbucci era um mestre, as sequências de ação. Com 90 minutos de duração “Os Cruéis” deveria ser um pouco mais longo e peca justamente por seu final apressado e mal desenvolvido, isto após absorver inteiramente o espectador em sua maior parte.

Acima Joseph Cotten.
Pai e filhos em guerra - O Coronel Jonas é um homem enlouquecido em sua delirante determinação de formar um novo Exército Confederado e com ele reverter a vitória dos unionistas. Diz que sua ação promoverá “O início de uma nova era, um recomeço da guerra perdida”. Diz ainda que “O Exército sob meu comando nunca se deu por vencido”. Não sem razão Jonas escolheu uma salamandra como símbolo de sua tropa, réptil capaz de se defender de seus predadores e matá-los com sua toxina. Citando Deus a todo momento como guia de suas ações, quem rege os atos insanos do Coronel Jonas é o inconformismo com a derrota que o embruteceu a ponto de agredir aqueles a quem comanda, seus filhos inclusive, e matar impiedosamente quem não comunga com sua causa. Dos três filhos de Jonas o preferido é Ben que silenciosamente reprova a violência do pai, ao contrário dos sádicos Jeff e Nat. A maior simpatia por Ben deve-se a não ser ele cobiçoso como Nat ou não se excitar facilmente diante de uma mulher como Jeff. Num filme em que não deveria haver heróis, Ben é o único homem íntegro e por quem Claire acaba nutrindo afeição. A longa jornada em direção ao Texas faz com que se exacerbem as diferenças e a desagregação é inevitável, com o pai opressor precipitando o fim trágico de quase todo clã. Em meio a esses quatro homens emerge uma admirável personagem feminina, o que é pouco comum em faroestes e menos ainda nos westerns spaghetti.

Joseph Cotten; Julián Mateos, Gino Pernice e Ángel Aranda

Norma Bengell
Uma Claire enternecedora - Enquanto Kitty é uma alcoólatra que quase põe a perder em seu início o projeto do Coronel Jonas, Claire é uma jogadora acostumada a lidar com homens de toda espécie como são os frequentadores de saloons. Assim chamada e imaginada em homenagem à esplêndida Claire Trevor de “No Tempo das Diligências” (Stagecoach) que interpretou a digna prostituta respeitada por John Wayne, a personagem vivida por Norma Bengell é uma mulher de sentimentos virtuosos e atitudes corajosas. É Claire quem evita que o caixão seja aberto por um xerife, numa das melhores sequências do filme. Por sinal quase todas sequências mais destacadas contam com a presença da atriz brasileira. Em outro momento brilhante Claire se sensibiliza diante do sargento cego que era amigo do verdadeiro Tenente Ambrose Allen. Singularmente, a beleza física de Norma Bengell é bem explorada por Corbucci, numa sequência em que ela sequer faz uso da irresistível sensualidade que a tornou famosa. É ela ainda quem provoca a inesperada e decisiva mudança na história ao se vingar do Coronel Jonas pedindo que o ‘corpo’ seja enterrado no Forte Brent, onde o finado oficial prestara serviço. Claire sabe que com esse pedido assinou sua sentença de morte, mas o imaginativo roteiro lembra, através de Jonas, que Claire desconhecia a obsessão do Coronel que coloca sua causa acima de tudo. Os diálogos entre Claire e Jonas estão, igualmente, entre os melhores deste filme sempre com Norma Bengell perfeita.

Tentativa de estupro feita por Gino Pernice; Norma Bengell com Julián Mateos.

Acima Aldo Sambrell; Al Mulock;
abaixo Cláudio Gora.
Criativas frases e situações - O caixão de defunto que abrigara uma metralhadora no western anterior de Sergio Corbucci ganha em “Os Cruéis” um simbolismo notável pois com ele são enterradas as insensatas esperanças de que a guerra seja revivida. Dissipa-se assim a impressão de oportunismo no uso da macabra caixa de madeira tão comum em westerns spaghetti. Se a sucessão de frases marcantes – “Mortos já não têm com que se apressar”, diz o padre; “Você não respeita nem mesmo os vivos”, diz o mendigo. “Você é o homem honrado que atira numa bandeira branca”, diz o bandoleiro pedro – ratificam ser “Os Cruéis” um western esmerado em seu roteiro, a mão de Corbucci se faz presente nas boas sequências de ação. O assalto ao comboio yankee totalmente dizimado que abre o western é o momento maior da parceria Corbucci-Benito Stefanneli, este coordenador das cenas de ação, mas há ainda a bem elaborada luta no saloon e outra entre os irmãos dentro de um riacho. Menos criativos são o ataque dos bandidos mexicanos e o rápido tiroteio entre os irmãos Nat e Jeff. Destaque-se a primorosa sequência do enforcamento dos dois mexicanos e o humor negro do caixão que se abre e dele rola o corpo inerte de Pedro (Aldo Sambrell), um dos mexicanos enforcados. A bizarra, desnecessária e inconvincente presença do mendigo destoa do conjunto do filme, bem como a morte do Coronel Jonas, elaborada sem inspiração por Corbucci. Percebe-se nitidamente que o Joseph Cotten foi substituído por um dublê nada parecido com ele nessa da morte do Coronel Jonas. Outra falha gritante é o uso de Colts Peacemakers poucos meses após o final da Guerra Civil (1865), sendo que aquele tipo de arma chegou ao mercado somente em 1873. 

Acima Norma Bengell e Joseph Cotten;
abaixo Norma com Benito Stefanelli.
Norma Bengell, a melhor do elenco - Mesmo nas obras-primas cinematográficas nas quais Joseph Cotten atuou, ele não deixou sua marca, pouco lembrando-se de suas participações. Cotten era assim mesmo, um bom ator sem maior carisma e com uma tendência a aborrecer o espectador com seus personagens, quase sempre fracos e hesitantes. Um de seus melhores momentos no cinema foi como o pusilânime e permissivo marido de Dorothy Malone em “O Último Pôr-do-Sol”, personagem que lhe caiu como uma luva por seu estilo interpretativo. Cotten que em “Os Cruéis” deveria ter o destaque maior no elenco vê Norma Bengell se sobressair e literalmente roubar-lhe o filme. Norma faz com que Claire entre para a galeria dos inesquecíveis personagens femininos dos westerns. Gino Pernice é o melhor entre os três irmãos e a espanhola María Martín se sai bem como a irritante Kitty. Mais uma vez Aldo Sambrell tem participação pequena, ainda que da maior importância na trama, ele que é um ótimo ator de quem muito mais poderia ser extraído. Al Mulock faz lembrar o velho Walter Huston de “O Tesouro de Sierra Madre”, evidentemente sem o talento deste.

O caixão fora da diligência; o caixão destroçado vendo-se Aldo Sambrell.

Norma Bengell e Julián Mateos
Sem herói no título - Enzo Barboni foi o responsável pela cinematografia e Leo Nichols (Ennio Morricone) assinou a trilha sonora musical. Desta vez Morricone ficou distante de criar uma trilha memorável e o tema principal salientando o trompete de Nunzio Rotondo é estridente e tedioso. O melhor desta trilha musical Morricone deixou para a sequência final da desesperada morte do Coronel Jonas, ouvindo-se o Coral de Alessandro Alessandroni e a etérea voz de Edda Dell’Orso. É um daqueles casos em que a música é mais forte que a imagem. Com “Os Cruéis” Sergio Corbucci abandonou a prática de personagens fortes no título do filme – ‘Silenzio’, ‘Django’, ‘Ringo’, ‘Navajo Joe’ e ‘Minnesota Clay’. Com isso perdeu o grande poder de atração que esses nomes faziam junto ao público e este seu western rendeu muito menos nas bilheterias e nunca foi dos mais lembrados. Mas não se impressione com isso o fã de faroestes pois “Os Cruéis” é um belo western em que o muito bom roteiro e Norma Bengell tornam imprescindível.

Norma Bengell

Pôsteres italiano, norte-americano e alemão de "Os Cruéis".


Este filme foi gentilmente cedido pelo cinéfilo e colecionador Thomaz Antônio de Freitas Dantas.

28 de agosto de 2016

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE GEORGE MONTGOMERY, WESTERNER AUTÊNTICO


A década de 50 foi uma época incomparável para o western, ou melhor, a principal delas. Entre os diversos atores que se destacaram atuando nesses filmes, George Montgomery ocupa um lugar especial não só pelo número de faroestes que fez, mas também pela qualidade dos mesmos. Nascido no dia 29 de agosto de 1916 (algumas fontes indicam o dia 27 de agosto), Montgomery estaria completando 100 anos se vivo fosse, mas para os fãs de westerns ele continua vivo através de seus trabalhos no cinema e nas artes voltadas ao universo do Velho Oeste. A cinebiografia abaixo foi publicada originalmente neste blog, sendo aumentada e ampliada com outras informações e a lista completa dos westerns com George Montgomery.

Início pouco promissor - George Montgomery Letz nasceu na cidade de Brady, Montana, mesmo Estado onde nasceu Gary Cooper. Caçula entre os 15 filhos de um casal de imigrantes da Ucrania, George foi criado numa fazenda e aprendeu na prática os rudimentos da vida de cowboy. Cursou por algum tempo a Universidade de Montana, mas a sua boa estampa e seus 1,91m de altura o encaminharam para o cinema. Começou fazendo figurações e pequenos papéis nos filmes de Roy Rogers (de quem ficou amigo), na Republic Pictures e participou também de seriados. Atuou também como dublê de John Wayne que naquele tempo era magro como George Montgomery, além de terem quase a mesma altura. Em 1938 a Republic decidiu provocar os fãs de seriados lançando “O Guarda Vingador” (The Lone Ranger), com nada menos que cinco atores mascarados e vestidos como o personagem The Lone Ranger (na foto ao lado, George Montgomery com Lane Chandler, Lee Powell, Hal Taliaferro e Bruce Bennett) . Os ‘Lone Rangers’ iam morrendo um a um até restar só verdadeiro. O achado da Republic era fazer com que os espectadores tentassem descobrir qual deles era o verdadeiro herói mascarado. Nesse período George Montgomery atuava com o nome artístico de George Letz, isto quando conseguia ser creditado, o que era raro. Ainda assim chamou a atenção da 20th Century-Fox com quem assinou contrato.

O jovem George Montgomery em quatro poses para serem distribuídas aos fãs.

Acima George com a esposa Dinah
Shore; ambos apoiavam
John Fitzgerald Kennedy.
Sucesso e casamento - A Fox logo mudou seu nome para George Montgomery pois ‘Letz’ soava um tanto quanto alemão e isso era ruim naqueles anos, ao passo que ‘Montgomery’ era o sobrenome do famoso Marechal de Campo inglês Bernard Montgomery. No novo estúdio George apareceu com destaque em “Coração de Bandido” (The Cisco Kid and the Lady), de 1940, com Cesar Romero como Cisco Kid. A partir daí George foi colocado como ator principal ou coadjuvante importante em uma série de filmes juvenis. O estúdio deu a George a oportunidade de voltar às origens com os westerns “O Cavaleiro do Deserto” (Riders of the Purple Sage) e “O Último dos Duanes” (The Last of the Duanes), ambos de 1941. A 20th Century-Fox acreditava no futuro de George Montgomery e o escalou também como coadjuvante em boas produções contracenando, entre outras estrelas com Betty Grable, Linda Darnell, Shirley Temple, Carole Landis, Maureen O’Hara e Gene Tierney. Foi nesse tempo que George Montgomery se destacou também no noticiário de Hollywood devido a seus romances com Hedy Lamarr, uma das mais lindas estrelas da tela e com Carole Landis, também muito bonita. Para surpresa da cidade do cinema George acabou se casando com a cantora e atriz Dinah Shore.  Assim como aconteceu com muitos astros da tela, a carreira de George Montgomery foi interrompida devido à 2.ª Grande Guerra tendo ele sido convocado em 1943 e sendo desligado do Exército ao final do conflito mundial, em 1945.

George com Carole Landis, Betty Grable, Gene Tierney e com Maureen O'Hara.

George com Ruth Roman e sendo
esmurrado por Leo Gordon,

respectivamente em "A Filha da
Foragida" e em "Oeste Selvagem".
A caminho do faroeste - George cumpriu o contrato até o final atuando ainda em mais dois filmes da Fox, um deles personificando o detetive Philip Marlowe, criação de Raymond Chandler, em “A Moeda Trágica” (The Brasher Doubloon). Tyrone Power e Gregory Peck eram os principais galãs do estúdio que, por economia, decidiu não renovar o contrato de muitos jovens artistas, entre eles George Montgomery. Sorte do western pois George passou a atuar indistintamente pela Columbia, United Artists e Allied Artists, fazendo cada vez mais faroestes. Só na década de 50 foram mais de 20, para alegria dos fãs do gênero. A impressionante sequência de westerns de George Montgomery começou no final dos anos 40 e prosseguiu durante toda a década seguinte, o que o coloca ao lado de Randolph Scott e Audie Murphy como o trio de verdadeiros campeões do gênero. A longa série de westerns de George Montgomery teve início em 1947 com “A Filha da Foragida” (Belle Starr’s Daughter), com Rod Cameron e Ruth Roman. O longo ciclo foi encerrado quando George Montgomery interpretou Pat Garrett em “A Morte a Cada Passo” (Badman’s Country), com Neville Brand e Buster Crabbe. Em 1958 George Montgomery afastou-se do cinema para se dedicar à série de TV “Cimarron City”, exibida em 1958 e 1959 e que teve um total de 26 episódios. Montgomery encabeçou o elenco interpretando o prefeito da cidade de Cimarron. A série, no entanto, não conquistou grande audiência e foi cancelada.

À esquerda George com a bela Lynne Roberts em "Cavaleiros do Deserto";
na TV em "Cimarron City".
Acima George Montgomery em "A Garra de Aço"
e abaixo com Taine Elg em
"Watusi, o Gigante Africano".
Fase globetrotter - George então voltou a fazer filmes, principalmente no gênero aventura. O primeiro foi “Watusi, o Gigante Africano”, cujo nome é indicador da contrastante mudança de gênero. Em seguida, estrelados, roteirizados e dirigidos pelo próprio George Montgomery vieram “Samar, a Ilha do desespero”, “A Garra de Aço”, “Guerrilhas em Pink Lace”, “From Hell to Borneo” e “Colheita Satânica”. Os anos 60 foram, decididamente estranhos na carreira de George Montgomery, que atuou na superprodução inglesa “Uma batalha no Inferno”, com grande elenco comandado por Henry Fonda. Continuou na guerra e na Europa em “Missão Bomba 10:10”, filmado na Iugoslávia. Foi à África do Sul para atuar em “Estranhos ao Amanhecer”, em que contracenou com Deanna Martin, filha do grande Dino. Depois foi a vez da Espanha, onde George Montgomery atuou em ”O Pistoleiro do Rio Vermelho” (El Proscrito Del Rio Colorado), faroeste espanhol. Quase um globetrotter, George voltou aos Estados Unidos onde atuou em “Geração Alucinada”, numa época em que se começou a fazer filmes sobre drogas psicodélicas. Em 1967 Montgomery atuou em “Gatilhos do Ódio” (Hostile Guns), western da série do produtor A.C. Lyles que quase só contratava atores veteranos. Ao lado de Montgomery estavam neste filme Yvonne De Carlo, Tab Hunter, Brian Donlevy e Leo Gordon. A carreira de George Montgomery chegou ao fim com os filmes “Warkill”, em que contracenou com o veterano Tom Drake e em 1970 e com “The Daredevil”, em que George é um piloto de corridas de automóveis contracenando com a também veterana Terry Moore. O último filme de George Montgomery foi fazendo uma ponta em “Dikiy Veter”, produzido na Iugoslávia.

Uma das mais belas esculturas de
George Montgomery.
Renomado escultor - George Montgomery teve dois filhos com Dinah Shore, com quem ficou casado por 20 anos. No mesmo ano de 1963 em que voltou á vida de solteiro, uma em pregada da casa de George tentou matá-lo e ainda cometer suicídio, tendo falhado em ambas intenções. O ator não voltou a se casar, mesmo tendo mantido longo relacionamento, até quase o final da vida com sua amiga Ann Lindberg. Afastado do cinema, George Montgomery passou a exercitar seus dotes artísticos, dedicando-se a vários de seus hobbies como projetar casas, desenhar móveis, pintar e esculpir. George era extremamente talentoso, mas foi como escultor que seu talento foi mais reconhecido. As esculturas que fazia eram disputadíssimas obras de arte e, claro, custavam caro. Entre as mais de 50 esculturas que George produziu estão as de John Wayne, Clint Eastwood, Ronald Reagan, Gene Autry, e Randolph Scott. George Montgomery foi um dos mais ativos participantes dos bastante frequentes encontros de ex-astros dos faroestes com os fãs. Sempre simpático era bastante querido pelos amigos e pelos admiradores de sua arte e de seus filmes. George Montgomery faleceu de complicações cardíacas aos 94 anos, no dia 12 de dezembro de 2000, na Califórnia. Muitos de seus filmes estão hoje disponíveis para que se constate que ele foi, sem sombra de dúvida, um dos grandes mocinhos do cinema.

Ao lado das esculturas de George, um jogo de mesa e cadeiras por ele
desenhado e construído.


WESTERNS DE GEORGE MONTGOMERY
(A partir de 1940)

O Cavaleiro do Deserto (Riders of the Purple Sage), 1941 – James Tinling
O Último dos Duanes (The Last of the Duanes), 1941 – James Tinling
A Filha da Foragida (Belle Starr’s Daughter), 1947 -  Lesley Selander
A Voz do Sangue (Davy Crockett, Indian Scout), 1950 – Lew landers
A Bela Lil (Dakota Lil), 1950 -  Lesley Selander
Pista Cruenta (The Iroquis Trail), 1950
O Manto da Morte (The Texas Rangers), 1951 – Phil Karlson
Rebelião de Bravos (Indian Uprising), 1952 – Ray Nazarro
Era da Violência (Cripple Creek), 1952 – Ray Nazarro
Aliança de Sangue (The Pathfinder), 1952 – Sidney Salkow
Alçapão Sangrento (Jack McCall Desperado), 1953 – Sidney Salkow
Ticonderoga, Forte da Coragem (Fort Ti), 1953 – William Castle
De Homem para Homem ou Pistola (Gun Belt), 1953 – Ray Nazarro
Rio de Sangue (Battle of Rogue River), 1954 – William Castle
Até o Último Tiro (The Lone Gun), 1954 – Ray Nazarro
Ases do Gatilho (Masterson of Kansas), 1954 – William Castle
A Mulher e os Índios (Seminole Uprising), 1955 - Earl Bellamy
Covil de Feras (Robber’s Roost), 1955 -  Sidney Salkow
O Rio dos Homens Maus (Canyon River), 1956 – Harmon Jones
Império de Balas (Last of the Badmen), 1957 – Paul Landres
Bandoleiros de Durango (Gun Duel in Durango), 1957 – Sidney Salkow
Ataque Sanguinário (Pawnee), 1957 – George Waggner
Oeste Selvagem (Black Patch), 1957 – Allen H. Miner
Duelo ao Amanhecer (Man from God’s Country), 1958 – Paul Landres
O Melhor Gatilho (Thoughest Gun in Tombstone), 1958
A Morte a Cada Passo (Badman’s Country), 1958 – Fred F. Sears
Fúria Negra (King of Wild Stallion), 1959 – R.G. Springsteen
O Pistoleiro do Rio Vermelho (El Proscrito Del Rio Colorado), 1965 – Maury dexter
Gatilhos de Ódio (Hostile Guns), 1967 – R.G. Springsteen




25 de agosto de 2016

BANDOLEIROS DE DURANGO (GUN DUEL IN DURANGO), COM GEORGE MONTGOMERY


George Montgomery com
Hedy Lamarr (acima)
e com Gene Tierney.
Audie Murphy e George Montgomery foram dois dos atores que mais se destacaram nos pequenos westerns produzidos massissamente nos anos 50. Audie se tornou muito mais conhecido e conquistou uma legião de fãs, o que não chegou a acontecer com George, e isso não deixa de ser uma flagrante injustiça. Ambos lutaram na II Guerra Mundial, com a diferença que Murphy voltou com o peito coberto de medalhas e a fama de ter sido o mais condecorado soldado norte-americano naquele conflito, o que lhe abriu as portas para o cinema. A Universal investiu bastante em Audie Murphy e seus faroestes tinham, como regra geral, melhores diretores, bons elencos e eram quase sempre filmados em cores. Muito melhor ator que o inexpressivo Murphy, George Montgomery viu-se confinado a produtores mais modestos e a filmes infinitamente mais pobres. Montgomery era alto até para os padrões hollywoodianos (1,91m) e tão boa pinta que manteve longo romance com Hedy Lamarr, uma das mais belas estrelas de todos os tempos. Bom sujeito e muito querido, Montgomery tinha entre seus amigos Roy Rogers, Gene Autry, Randolph Scott e muitos outros atores e atrizes que o admiravam por sua inteligência e sensibilidade artística, ele que era pintor, escultor e designer de móveis de estilo country e ainda decorador. Com tudo isso, a cada pequeno western de George Montgomery, como este “Bandoleiros de Durango” (Gun Duel in Durango), é inevitável a constatação que Hollywood investiu muito em Audie Murphy e pouco no excelente George Montgomery.


Acima Boyd 'Red Morgan', Al Wyatt Sr.,
Don 'Red' Barry, Steve Brodie e
Henry Rowland; abaixo George
Montgomery e Ann Robinson.
Fugindo do passado (outra vez) - “Bandoleiros de Durango” conta a história muitas vezes levada à tela do fora-da-lei que busca se regenerar mas seu passado lhe cria obstáculos. George Montgomery é Will Sabre, homem que fez parte do bando liderado por Jack Dunsten (Steve Brodie). Sabre quer mudar de vida e muda inicialmente de nome, dizendo chamar-se Dan Tomlinson, para não ser reconhecido. No caminho para Durango, onde pretende se reencontrar com Judy Ollivant (Ann Robinson), Sabre encontra o menino Robbie que acabara de perder o pai. Dunsten e seus homens procuram por Sabre pois o chefe do bando não quer perdê-lo, contando com ele para próximos assaltos. Chegando a Durango Judy acolhe o menino em sua fazenda enquanto Will Sabre, usando o nome Dan Tomlinson, consegue emprego como caixa do banco local. Sabre é descoberto e passa a ser chantageado por Dunsten que pretende que Sabre facilite os roubos ao banco onde trabalha, o que de fato acontece. O xerife Howard (Frank Ferguson) conclui que Dan Tomlinson é, de fato, o bandido Will Sabre e tenta prendê-lo como cúmplice dos assaltos, o que faz com que Sabre fuja, indo atrás do bando e conseguindo dizimá-lo. Tendo provado que quer ser um homem de bem, Sabre inicia nova vida ao lado de Judy e do menino Robbie.

George Montgomery (acima) e com
Bobby Clark.
História mal alinhavada - Com apenas 73 minutos de duração, “Bandoleiros de Durango” dirigido por Sidney Salkow não se aprofunda nos tão comuns problemas pessoais do ex-malfeitor não sugerindo ao menos o que o teria levado a trilhar abandonar a vida de crimes. Sabe-se apenas que antes disso Will Sabre fora sócio de Judy Ollivant num cassino em New Orleans, onde os dois se relacionaram. Will Sabre aconselha o menino a nunca usar de violência e ele próprio reluta em fazer uso de armas mesmo quando se defronta com criminosos. Isso acontece durante o assalto ao banco de Durango, com o fazendeiro Blaisdell (Roy Barcroft) testemunhando a incapacidade de Sabre em reagir aos tiros disparados pelo bando de Dunsten. Anteriormente, durante uma perseguição à mesma quadrilha por parte de Texas Rangers, Sabre não conseguiu sacar sua arma e ajudar a patrulha liderada pelo Capitão Ranger (Denver Pyle). E Sabre era admirado por membros do bando ao qual pertenceu, especialmente por Larry (Don ‘Red’ Barry) que se manifesta a favor de Sabre contrariando Dunsten. A falta de maior coesão neste western é que demonstra porque os pequenos faroestes de Budd Boetticher com roteiros de Burt Kannedy eram tão bons, mesmo com metragens ao redor dos 70 minutos de duração.

Acima Roy Barcroft com Montgomery;
abaixo Frank Ferguson e Denver Pyle.
Mocinho atrás do guichê - Com um mínimo de ação e mesmo assim pouco brilhante nos momentos movimentados, o melhor deste filme em preto e branco é a esplêndida atuação de George Montgomery, convincente mesmo num personagem mal estruturado. E curiosamente Montgomery passa mais tempo no filme atrás do guichê do banco que trocando tiros e socos ou montado em um cavalo. Muito boa a presença do ator infantil Bobby Clark que infelizmente não fez carreira no cinema, mesmo tendo participado de filmes conhecidos como “Os Dez Mandamentos” e “Vampiros de Almas”, o clássico sci-fi de Don Siegel. Por falar em ficção científica, Ann Robinson é a leading-lady de George Montgomery, ela que atuou no também clássico “A Guerra dos Mundos”, em 1953. Steve Brodie é bem melhor em filmes policiais e Don ‘Red’ Barry tem poucas oportunidades para exercitar sua irascibilidade. Frank Ferguson desta vez como xerife e num papel maior que de costume, aparecendo ainda Denver Pyle. Aqueles que vibravam com seriados e westerns B, reconhecerão certamente o grande homem mau Roy Barcroft e ainda Syd Saylor, veterano coadjuvante e muitas vezes sidekick de Bob Steele.

Bandidos ruívos: Boyd 'Red' Morgan e Steve Brodie; Steve Brodie e Don 'Red' Barry'.

Faroestes superiores - Produzido para completar programação dupla dos cinemas de pequenos centros, “Bandoleiros de Durango” é um western sem maiores ambições e um dos mais fracos da série que teve George Montgomery como herói. Melhor ficar, entre outros, com “Até o Último Tiro” (The Lone Gun), “Ases do Gatilho” (Masterson of Kansas), “De Homem para Homem” (Gun Belt) ou mesmo “Covil de Feras” (Robber’s Roost), este dirigido pelo próprio Sydney Salkow. E prestigiar o ótimo e injustiçado mocinho George Montgomery.